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Devo confessar que essa não foi surpresa. Pensei em fazer um post falando somente sobre esta fotografia, entitulado “As fotos que não foram pro ar”, já que estes dias estive tentando inutilmente esvaziar meu HD, apagar o excesso de arquivos pesados, algumas fotografias fora de foco ou mesmo sem jeito algum de se salvar. Nessa brincadeira acabei encontrando fotografias que nem lembrava de ter feito. Fazendo esta verdadeira operação peneira, encontrei imagens antigas, de saídas ainda mais velhas, que sinceramente não lembro o por que de não ter editado e mandado pro meu Flickr ou mesmo pro blog.

Sobre a imagem, foi numa dessas saídas para a Urca, andando pela pista Cláudio Coutinho, que tive a sorte de esbarrar com uma família inteira de Sagüis (ou Mico-Estrela) caminhando pelas árvores. Lembro de disparar o primeiro flash e vê-los todos parando para procurar o que eram aquelas luzes piscando. Não fiz mais de cinco cliques da cena e embora não faça idéia do por que ignorei esta foto a tanto tempo, foi animado que a enviei para o site da revista National Geographic e apenas dois dias depois ela foi colocada no ar, entre as trinta melhores fotografias do mês. Após algumas vezes tendo enviado imagens para a National Geographic e tido algumas delas publicadas, mesmo que tão poucas, começo a entender quais os critérios de avaliação da revista e do site. Esta é a maior descoberta.

Sigo sobrevivendo e em busca do inédito.

(Escutando: Alex Gaudino feat Shena – Watch Out)

Ontém, 05/06/09, fui enviado pela agência de imagens Futura Press até o estádio do Maracanãzinho, onde deveria cobrir a pauta de um evento de basquete que ocorreria no local. Confesso a ignorância, Harlem Globetrotters para mim era um desenho animado da década de 80 que fez sucesso exatamente por ser um desenho onde um time de basquete formado inteiramente por negros vivia realizando piruetas lendárias para animar crianças. Não fazia idéia da dimensão da coisa.

Cheguei no lugar cedo junto do amigo e também fotógrafo Didier Pelógia que foi me acompanhar na cobertura do evento. O cara é fixado nessa de basquete então nada mais prudente do que levar um especialista no assunto para se cobrir uma pauta.

Nunca havia fotografado uma partida de basquete na vida e devo confessar que esse foi um excelente pontapé inicial, já que mais lendários do que os Harlem Globetrotters somente as jogadas que realizam. E o seu humor. Os caras estavam se preparando, ainda no vestiário, executando algumas jogadas e conversando, enquanto o fotógrafo xereta aqui já tentava clicar alguma coisa, conversar, conhecer um pouco de cada um.

A entrada na quadra foi simplesmente magnífica e se não fosse algumas pilhas que resolveram descarregar quase que de um segundo para o outro, teria mais imagens da entrada deles, mas essa fica para uma próxima vez. Os caras no meio da quadra, jogando contra os Washington Generals, se não me engano seus arqui-inimigos no desenho oitentista, são o espetáculo de humor mais engraçado que já vi, simplesmente por não ser um espetáculo de humor. É o improviso lutando de frente contra o ensaiado, é jogador e platéia falando a mesma língua, embora o primeiro só fale inglês e o segundo predominantemente português (Gostaria de deixar aqui registrado os parabéns para o jogador Special K, que se esforçou ao máximo para falar um português claro e ainda consgeguiu fazer piadas engraçadíssimas com isso).

Harlem Globetrotters. Só o nome já inspira algo lendário e eu não fazia idéia disso. É uma jogada mais perfeita que a outra e o orgulho dos jogadores em serem todos negros fica expresso gritantemente no uniforme, contendo as mesmas cores da bandeira norte-americana, que na época em que o primeiro time se formou fez de tudo para que o basquete fosse considerado um esporte para brancos. A nação mais preconceituosa do mundo nada pôde fazer para conter o avanço dos caras e hoje eles são simplesmente uma das equipes de basquete mais bem sucedidas de todos os tempos.

Devo confessar que o jogador que me chamou mais a atenção foi Special K, um crioulo de 1,90m de altura dotado de uma habilidade no esporte que só consegue ser superada pelo seu bom-humor e carisma junto da platéia. Piadista nato o cara conseguiu tirar sarro até mesmo de um inconveniente morcego que invadiu o estádio e chamou a atenção de todos. Fosse jogando água na platéia, brincando com uma bola de basquete presa ao pulso, roubando a cena completamente nas jogadas, distribuindo os sanduíches que os ambulantes vendiam, fingindo-se de sombra dos membros da equipe técnica do estádio ou até tirando um sarro com a cara do juíz, Special K, sem sombra de dúvida é o Globetrotter mais carismático que o time já teve.

Estou certo de que das próximas vezes estarei lá fotografando, mesmo que isso não seja pauta alguma, mesmo que eu nem receba para isso. Fotografar o time principal dos Globetrotters em quadra foi uma honra tão lendária quanto o próprio time em si.

Now Bomb

Ontém foi a estréia do meu novo colete de fotógrafo, um Now Bomb vendido pelo fotojornalista Jorge Araújo em seu website Press Fashion.  O colete era tudo que eu precisava. Dinâmico, seguro, bonito e bem prático, o Now Bomb é um item indispensável para aqueles que desejam seguir carreira no fotojornalismo.

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(Escutando: Nada – Ainda tá muito cedo)

São 5:41 da manhã. Eu tô morrendo de sono, mas tive que acordar pra ver se minhas fotografias tinham sido publicadas novo site da National Geographic Brasil. Estou fazendo isso, todos os dias, pelas últimas duas semanas já que em minha última saída fotográfica produzi bastante material para enviar para o site da revista. Hoje fui recompensado. Estou entre as quatro primeiras fotografias do mês de maio no site da NG e pode ser que eu esteja muito errado, mas muito errado mesmo, mas mês que vem terei outra publicada no site. Mas enfim.

Essa fotografia foi feita na pista Cláudio Coutinho, mais conhecida como Caminho do Bem-Te-Vi, na Urca, ao lado da Praia Vermelha enquanto estive lá na minha última caminhada buscando algumas imagens para montar um portifólio legal. Realmente achava que a imagem não daria retorno, já que na mesma semana consegui uma imagem de um Tucano-de-bico-preto se alimentando no Jardim Botânico. Esta Gaivota pousou bem pertinho de mim e em segundos fugiu ao notar minha presença, e bem quando eu achava que ia sair de lá sem nenhum material relevante, o bicho me rendeu essa imagem. Valeu a pena.

(Escutando: Elmer Bernstein – National Geographic Theme)

Sonho todo mundo tem. Mas é a intensidade que depende de cada um. Exemplo, o escritor H.P Lovecraft sonhava com outras dimensões, monstros abomináveis e loucura o tempo todo, daí decidiu criar a Mitologia de Chtulhu onde criaturas imensas poderiam destruir toda a existência com um espirro (veja bem, não é necessariamente um espirro, mas algo bem menos poderoso). Martin Luther King teve um sonho e bem, não adiantou muita coisa, afinal mataram o cara e tudo pelo qual ele lutava se perdeu até que um negro, com nome de negro, de descendência africana (quer orgulho maior que este?!) subiu ao poder na Casa Branca e hoje Barack Obama é um dos caras mais famosos do planeta Terra, sem falar que foi considerado um dos mais simpáticos e sexy (sonho realizado então).

Desde que comecei com a fotografia encontrei uma forma agradável e que até o momento tem funcionado para realizar os meus sonhos, afinal, sonhar todo mundo sonha, realizar sonhos é que complica. Bem, eu realizei meus sonhos. Alguns deles mais de uma vez e hoje estou bem mais realizado do que certo tempo atrás. Mas os sonhos, conforme nós envelhecemos ficam também maiores, alguns mais caros, outros mais difíceis e no meu caso, beiram a impossibilidade total.

Na minha concepção, todo mundo tem um nêmesis profissional, o desafio definitivo, aquela ‘coisa’ que nós sabemos que é muito difícil, complicado e em vários dos casos impossível, mas ainda assim nós queremos muito. Tipo, os engenheiros podem sonhar em construir algo que se torne uma das Sete Maravilhas do Mundo (vá lá, não é todo mundo que consegue), os pilotos de jatos podem sonhar em algum dia pilotarem a Millenium Falcon. Bem, dito isso, o meu sonho é fotografar um dinossauro. Nem me venham com monstros animatrônicos. Eu quero fotografar um dinossauro de verdade, um daqueles bem grandes, rápidos e perigosos, tipo aqueles do Jurassic Park. O segundo filme da franquia de Steven Spielberg, O Mundo Perdido, personifica bem este meu sonho impossível logo no começo. Uma pesquisadora perdida na ilha, com uma câmera fotográfica, fotografando… adivinha o que? Dinossauros! Acho que esse seria o desafio mais desafiante de toda a minha carreira, não porque é muito difícil, mas porque é impossível. Bem, impossível sob certo ponto de vista. Engenharia genética, efeitos visuais… um dia acontece.

Mas sabe o que é pior? Minha fixação por dinossauros não vem de agora. Ela data de pelo menos quinze anos atrás quando eu fazia minha mãe (coitada) gastar fortunas em brinquedos de animais pré-históricos e afins. E pior que isso, foi dois anos atrás (sim, eu anotei) sonhar que eu e o fotógrafo Michael “Nick” Nichols (adivinha da onde?) havíamos sido contratados pela National Geographic para fotografar uma certa ilha no meio do oceano Pacífico onde um cientista havia descoberto como clonar… adivinha o que?

Bem, a introdução do texto ficou maior do que o que eu imaginava, mas é bom falar sobre sonhos e considerando que já me chamaram de “Bobby” do “Fantástico Mundo de Bobby“, sou um cara que sonha bastante. Pior que isso é outras pessoas, além de mim, saberem disso.

O post é sobre sonhos. E meus sonhos são simples. Querer fazer parte da National Geographic, receber um diploma de membro da sociedade científica e ter uma fotografia publicada na capa da revista (edição americana, óbvio!) pode não parecer algo tão grandioso quanto fotografar um dinossauro, pilotar a nave ícone de Guerra nas Estrelas ou construir uma edificação que continuará por aí mesmo mil anos após minha morte. Esses meus sonhos podem parecer simples, comparados aos outros, mas isso não quer dizer que são fáceis de se realizar. Maaas… sob certo ponto de vista, de acordo com as outras variáveis… são simples sim. Foi mais ou menos por isso que passei a tentar, de certa forma (e mesmo que para alguns esta forma possa parecer muito estranha) fazer com que meus sonhos se realizassem antes de se realizar. Mas como diabos eu faço isso? Simples, enganando a mim mesmo. Acreditando que o que eu quero, não só já aconteceu como faz parte da minha vida.

As imagens da galeria deste post mostram exatamente do que estou falando. Todas elas são montagens (duh!), mas representam meus maiores sonhos no momento. Pode parecer estranho, eu sei, afinal sou um cara que engana a si próprio em benefício de mim mesmo, mas se você parar para pensar, faz muito sentido. Agindo como se eu já tivesse o que eu quero, eu meio que forço as energias positivas interplanetáreas ar-condicionadas e microondas (?!?!) a lutarem do meu lado, sendo assim, as coisas parecem acontecer pouco tempo depois. Quem já leu “O Segredo” sabe disso.

Bem, pode parecer mais estranho ainda para quem me conhece ler isso, afinal todos sabem que eu sou muito ateu (na escala de 0 a 100, sou 3267, onde 200 é Darwin, 500 Einstein e 1000 Charles Chaplin, o cara que por simples bom senso, não acreditava em deus nenhum!). Esse papo pode parecer aquele tipo de papo que crentes falam, que se você acreditar, acontece. De fato, agindo como se eu já tivesse o que eu quero ter, ou já tivesse feito o que quero fazer, as forças macarrônicas e térmicamente irresponsáveis do universo parecem me ajudar. Provas? Bem, nenhuma, eu só sei que certo tempo atrás eu vivia fechando os olhos para me imaginar segurando uma câmera fotográfica fodona, vivia sonhando em conhecer um fotógrafo da NatGeo, queria minhas fotos publicadas na revista (elas foram… no site) e vejam só, isso aconteceu. Não sei se por força do destino (o que eu também não acredito) ou se por pura, livre e espontânea pressão deste que vos fala. O fato é o seguinte, eu consegui um monte de coisas que eu queria. A maior parte delas porque eu me esforcei muito, algumas porque eu sou foda mesmo.

Me imagino diariamente dirigindo pelas savanas da África a fotografar embates entre os felinos mais perigosos da Terra, comportamentos dos maiores mamíferos e encontros únicos entre certas criaturas, tudo somente para conscientizar nossa espécie a perceber que o mundo não é nosso e a galáxia não chegou aonde está para que somente nós pudéssemos tirar proveito dela. Existem outras raças no planeta, podem não ser dominantes como nós, mas elas também tem o direito de viver. Imagino minhas fotografias sendo reconhecidas mundialmente e fazendo com que as pessoas pensem “Bem, acho que vou parar de destruir meu mundo” ou ao menos deixando de ligar as torneiras por tanto tempo. Me imagino dando aulas em uma universidade qualquer tentando convencer centenas de alunos a cuidar do lugar onde vivem, pois este pode não existir se o  ‘estupro mundial’ continuar durante tanto tempo. Me imagino a frente do MY Arctic Sunrise, barco principal do Greenpeace enquanto este se lança para mais um combate contra navios baleeiros vindos do outro lado do mundo para f… com o maior mamífero dos mares. Sonho todos os dias em realizar tudo isso, e com as minhas mais sinceras desculpas… isso sim é um sonho foda pra caralho.

Então resumindo isso tudo aí em cima, “Por que diabos ele fez estas montagens toscas?”, vocês se perguntam. E eu respondo. ” Porque pra mim, isto de fato já aconteceu.”

Amém!

(Escutando: Pink – So What)

A parte boa do dia em que se acorda cedo, sai de casa carregando quase que unicamente seu equipamento fotográfico nas costas e apenas uma garrafinha d´água para um encontro fotográfico é que de vez em quando, só de vez em quando, encontra-se um excelente assunto a ser fotografado. Foi o que aconteceu comigo neste último domingo, um dia em que eu não imaginava que fosse me render uma das melhores fotografias do meu álbum.

Naquele domingo, eu e meu camarada Didier Pelógia acordamos bem cedo e partimos para o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, onde estava ocorrendo um encontro fotográfico de alguns conhecidos. Não que eu tenha andado o tempo todo com os fotógrafos que participaram, já que me sinto muito melhor fazendo meu trabalho sozinho. Enquanto a maior parte deles andava, conversava e fotografava quase que toda a flora do local, me concentrei mais em aguardar pela fotografia que me esperava. E foi dito e feito.

Horas de caminhada depois, com dores pelo corpo e um desanimo total (experimente visitar o Jardim Botânico várias vezes com o intuito de fotografar) tive a sorte de escutar um dos parceiros de foto, Wellington Peclat, gritando “Tucano!”, e então, como se todo o vigor retornasse para meu corpo, corri de câmera em punho na direção do pássaro que se escondia em meio as folhagens das árvores próximas. Em segundos reparei que eram vários Tucanos-de-bico-preto, mas eles não se aproximavam jamais uns dos outros, impedindo uma fotografia ‘comunitaria’ e como estavam bem longe e minha lente com maior distância focal é uma 200mm, tive dificuldades em fazer uma foto próxima, mas ainda assim valeu a pena.

Agora só falta aguardar a boa vontade do povo do site da National Geographic Brasil para atualizar a página “Sua Foto” e saber se uma destas fotografias aqui apresentadas foi a escolhida para figurar entre as trinta melhores deste mês.

(Escutando: Yves Larock – Rise up)

Para comemorar o dia do índio (eu sei que não é hoje) neste domingo, dia 19 de Abril recebi um convite de uma nova amiga para comparecer no Museu do Índio em Botafogo onde estaria acontecendo uma apresentação dos índios Kayapós. E que apresentação.

Vindos do Pará esta tribo é uma das tribos indígenas mais ricas do país, logo não se engane caso um deles lhe peça um trocado por uma fotografia, pois eles o farão, sem sombra de dúvidas. Não que isso seja ruim, afinal são índios, mas o problema começa a partir do momento em que eles deixam de pedir dinheiro e passam a pedir cigarros e cerveja. Isso não é nada bom.

A revista National Geographic Brasil deste mês, na matéria “Indios Modernos” revela a modernização dos índios Baniua, que vivem no norte da Amazônia e hoje em dia contam com Internet Wireless, laptops e celulares bem novinhos (só pra se ter uma idéia, eu não tenho Wireless, laptop nem celular novo). Essa foi uma das coisas que reparei lá hoje, ao fotografar o evento. A maior parte dos índios tinha um celular na cintura (um deles tem o celular que eu quero GRrrr), alguns com câmeras fotográficas e quase todos com relógios de pulso. Digo, pra onde foram as formas primitivas de comunicação que tanto caracterizam os índios? Onde está aquela cara de susto ao olhar pra sua fotografia dentro da ‘caixa mágica’? Não se vê mais as horas pelo sol? Isso está ficando meio complicado, sem falar nas sandálias de dedo Havaíanas que já se tornaram comuns.

Fora a crítica, a apresentação é primorosa. Os trajes, as pinturas de corpo (grande parte dela veio parar na minha roupa) e o comportamento são sensacionais. Dava uma dor no coração ao ver a ‘delicadeza’ com que os jovens índios se tratavam. Um tapa no rosto que para nós pode significar um soco como retribuição era apenas brincadeira. Puxões de cabelo servem tanto para machucar quanto para arranjar apoio para se levantar do chão, e sobrou até para a pequena indiazinha que não aparentava ter nem 4 anos que tomou uns cascudos do irmão mais velho e pôs se a chorar descontroladamente.

Senti naquele momento, enquanto estava ali rodeado daquele povo magnífico que queria saber mais. Queria ter esta mesma oportunidade novamente, quero, desejo e agora mais do que nunca vou me esforçar para um dia também conseguir realizar algo desse tipo, pois aquele povo é perfeito demais para se deixar esquecer. Nunca vou me esquecer do jovem Pauri que de nariz escorrendo e mãos mais sujas que as solas dos pés enfiou o dedo na minha lente e disse “Tic Tic”, imitando ingenuamente o som do disparo. Os curtos momentos que passei ao lado daquela criança, que está sendo treinado para se tornar um guerreiro, foram inesquecíveis. Em um segundo estava de câmera em punho batendo fotografias dele e dos coleguinhas brincando, no outro fui dominado e jogado ao chão por crianças Kayapó curiosas quanto ao meu equipamento, quanto aos brincos que uso, quanto a barba por fazer, o fio do MP3 Player. Todos tão curiosos que agora, enquanto escrevo isso, só fico me recordando do “Tic Tic”.

Quero escutar aquele “Tic Tic” novamente.

Aqui deixo os agradecimentos: Obrigado a senhorita Jaqueline Gomes que faz parte da minha vida a menos de 48 horas, mas já me proporcionou, por meio de um simples convite, um dos dias que jamais esquecerei. Muito obrigado guria.

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(Escutando: Raul Seixas – Eu sou egoísta)

Esta fotografia foi feita hoje, a tarde, no lugar de sempre: Urca. Fiquei horas esperando esta garça branca dar uma boa foto ou ao menos fazer algo de interessante. Ela andou, andou, fez tudo que não tinha nada de interessante e perdi a conta de quantos clicks dei achando que ia conseguir uma foto de verdade, e nada. Algumas asas batendo, alguns closes, mas o que eu queria mesmo nada de acontecer: um par de asas abertos bem nitido! Lembro de pensar, “Bicho maldito, se mexe!” e pensar até em jogar alguma coisa depois da primeira hora. Alguma coisa me dizia pra não sair dali e fui recompensado logo depois de perder a paciência e quase guardar a câmera. Estava ali, meu par de asas bem aberto, num ritmo legal, composição legal (cortei um pedaço da asa, mas ok…) e uma surpresa; um peixinho desesperado que de repente estava nadando com a família e no segundo seguinte virando comida. E não consigo parar de olhar pra foto e pensar, “O peixe ta com cara de desesperado!”

Excelente fotografia na minha opinião. Merece estreiar a categoria de post nova, “Foto do mês”.

ATUALIZADO: E acabei de conferir no site da National Geographic Brasil, a fotografia deste post foi a 16ª colocada no concurso cultural da National Geographic Society. Sabe quando temos aquela sensação de que o último click que fizemos é “O Click”? Então, lembro de ter pensado isso e agora está a prova consumada do fato. O último click foi o click.

PS: A partir de hoje vou começar a andar com retrovisor na câmera! Tomei um banho de uma onda semi-tsunami que tive que sentar nas pedras durante três horas pra secar a calça, meias e tênis, sem falar na camisa e na câmera! Ódio, ódio! Mas ta tudo bem… meu equipamento sobreviveu.

(Escutando: Bob Dylan – The times they are changin´)

Post retirado de um arquivo datado de 05/11/08, ou seja quase seis meses atrás quando fui contratado pelo IETV – Institudo de Estudos de Televisão para fotografar o Festival Internacional de TV, que aconteceu no Oi Futura, no Largo do Machado. Fui chamado para fotografar o evento durante seis dias, e mesmo que ache que hoje em dia aquilo valeu como experiência, sigo pensando que poderia ter me extressado menos.

Trabalhar durante uma semana em um evento deste porte, pode parecer fácil, mas na realidade não é. Quando você está vestindo a camisa de uma empresa, podes ser confundido com aqueles caras em quem se deve jogar pedra quando algo dá errado. E essa tendência parece piorar relativamente quando se é o cara que leva consigo uma câmera fotográfica. Parece que as pessoas pensam, “Ei, joguem algo pesado naquele cara com a câmera.” E sim, as coisas ficam feias a esse ponto.

Lembro de ter visto uma guria, com menos da metade da minha altura (figurativamente) gritar que ia explodir o recinto simplesmente por ter vindo de Santa Catarina para ver aquele evento. E isso, devo dizer, é complicado. Complicado pelo simples motivo de que quando você veste a camisa de uma empresa, você faz parte dela, e você fazendo parte dela, você torce para que tudo dê certo. Como se fosse um tratado entre cliente e vendedor, dizendo “Você faz tudo certo que eu faço tudo certo”, e nesta ocasião, infelizmente, eu estava do lado de quem não estava fazendo tudo certo.

Tive a grande honra de conhecer caras sensacionais como o ‘fulaninho’ que eu não fazia idéia de quem era na época, mas que hoje virou um grande ídolo. Marcelo Adnet, hoje é considerado por mim um dos caras mais engraçados com quem já tive o prazer de cruzar caminhos, sem falar que ele é meio vesgo como eu e ainda tem cara de boneco. Para quem foi e ouviu a teoria do “Passo lateral dos apresentadores do Fantástico”, garanto: aquilo é humor… humor inteligente.

Honra maior ainda foi a de conhecer a ‘guria mais gostosa do pedaço’ de acordo com um gaúcho que tive também o prazer de conhecer. Sabrina Sato pode parecer bonita na televisão, mas garanto que é muito mais bonita pessoalmente. E simpática também. Lembro de ter pedido “Sabrina, manda beijo”, após checar uma foto que havia saído embaçada. Ela não só mandou beijo para a foto como quis vê-la, me deu um corte dizendo que com uma câmera dessas qualquer um fica bonito e ainda me tascou um beijo na bochecha. Mais simpática impossível. Ah, e só pra constar. A segunda foto saiu desfocada também.

Por fim o prazer maior, na realidade uma honra, foi a de conhecer Marcelo Taz, sem sombra de dúvidas o sujeito mais inteligente que já conheci e que também, como seu xará Adnet, parece ter nascido com um dom natural para o humor. Foi o único dos convidados especiais que fiz questão de me aproximar e pedir apenas um aperto de mão dizendo “Não quero foto, nem autógrafo. Quero só um aperto de mão.” E o cara fez questão de se aproximar, pedir um cartão e perguntar se fiz alguma foto legal dele. Fotos estas que mandaria algum tempo depois para seu email pessoal. Honra igual, pra que?!

A jóia da coroa foi conseguir dar uma de paparazzi e descolar uma fotografia da calcinha de Srta. Sabrina Sato, que quando reparou que havia sido ‘estuprada fotograficamente’ deu apenas um sorrisinho amarelo. Depois se aproximou de mim dizendo, “Tu pegou minha calcinha, né safadinho?”,  e eu, usando de todo o meu potencial Jack Sparrow apenas refutei, “Fotógrafo…” Diversão pouca é bobagem.

Subir escadas correndo, tropeçar, cair, levantar, derrubar cerveja em todo mundo enquanto se corre para pegar as melhores fotos, de fato, vale sempre a pena. Mesmo recebendo pouco, mesmo sendo xingado a cada vez que se passa. As amizades ganhas no local, os (no caso as) novas camaradadas de trabalho, que são as melhores que qualquer um pode conseguir, o esforço feito, como diria D2, “em busca da foto perfeita”, sempre valem a pena. Se no meio disso rolar um tombo ou um tapa na nuca, que seja!

O momento se vai, a fotografia é que fica!

(Escutando: Skank e Negra Li – E eu ainda gosto dela)

Já faz tempo agora. Mais tempo do que consigo me recordar e apesar dos momentos mais radicais terem se entranhado na minha cabeça para não mais sair, foram os momentos mais calmos que me fizeram jamais querer esquecer a viagem que fiz para Teresópolis, RJ, em pleno Carnaval de 2009. Enquanto milhares de foliões se esbaldavam de cerveja e dançavam ao som dos mais diversos trios elétricos por centenas de cidades, ou enfrentavam oras de engarrafamento só para chegar até a esbórnia mais próxima, eu chegava em uma cidade com um imenso potencial a se fotografar. E de lá eu desejava não ter saído mais.

Algo que me chamou a atenção logo de cara foi a receptividade. Ficam para trás os cenhos serrados e sorrisos amarelos dos cariocas que vivem na Cidade Maravilhosa, chegam-se os interioranos da serra, que sorriem de verdade, prestam-se a ajudar mesmo sem receber nada em troca e de certa forma parecem mais próximos de você. Continuo estranhando o fato de até os mendigos da cidade (que são pouquíssimos) terem sido amáveis.

E de todas as pessoas que moram naquela cidade que fica no alto das nuvens, tive o prazer e sorte de ficar ‘instalado’ junto da família mais legal e ‘gente-fina’ que conheço por lá. Era um tal de acordar cedo, uma ànsia por fotografar até o obturador parar de funcionar, entrar nas matas atrás de bichos. Uma excitção tão grande que sentia, ao chegar em casa, promessas musculares e ósseas de dores futuras que não me deixariam em paz. Ainda assim, valia a pena cada minuto gasto caminhando pela mata, de câmera em punho.

Tudo lá era por demais proveitoso, e até gostoso de se realizar. Como se de repente o relógio começasse a andar mais devagar. As pessoas naquela cidade realmente me surpreendiam.

O  ‘cara de vermelho’ que calhou de ser um excelente guia e um ouvinte excepcional de pássaros no meio da mata densa, era o mais surpreendente. Homem calmo, de fala mansa, camarada para todas as horas. Estaremos sempre ligados pelo simples fato de sermos ótimos com uma trilha abaixo dos pés e amigos quando estivermos sentados lado a lado.

A jovem nova senhorita paulista, com sotaque gaúcho, aparência européia, mas que vive no RJ e passou a odiar cariocas devido a uma simples piada, se saiu a cozinheira perfeita para abastecer fotógrafos que saem em trilhas as 6:00 pra voltar somente quando o sol já se pôs. Um dia estarei de volta para provar novamente o ‘arroz, feijão, bife e batata frita’ que foi um dos melhores que já comi até onde  lembro.

E mesmo o administrador do Parnaso, o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, um cara simpático e prestativo, embora entrosado demais com a sua profissão, foi uma pessoa que fez questão de me receber bem, estendendo a mão para um aperto caloroso a cada opinião concluída ou promessas de trabalhos futuros. Espero que possamos tomar uma cerveja para conversar melhor qualquer dia.

E ao camarada que compartilha comigo esta paixão pela arte de desenhar com luz, só falta agradecer com palavras o que já fiz com um sorriso tão largo e sincero. Como dizer que você está grato por algo que uma pessoa fez para ti, simplesmente sem fazer esforço algum? Simplesmente por estar lá, ao teu lado, te acompanhando em cada click da câmera, em cada foto borrada, em cada tombo no chão e em cada momento de “Que diabos fazemos agora?”

O que dizer?

Bem, as fotos dizem tudo.

(Escutando: Marcelo D2 – A Arte do Barulho)

“Tá afim de fotografar uma corrida no Jockey Club da Lagoa?”

“Quando?”

“Quarta-feira. A noite, mais ou menos as oito da noite.”

“Quarta-feira? Oito horas da noite? Na Lagoa? Você tá de sacanagem?”

“Bem, não. Tô falando sério.”

“Qual o meu estimulo pra fotografar uma corrida, na Lagoa, as oito da noite, em plena Quarta-feira?”

“Bom, acho que vai ser legal.”

“Putz. Ok, eu topo. Mas é bom eu ser bem pago por isso.”

“Que bom, você vai! Ah, esqueci de dizer. Acho que vai chover no Rio.”

“…”

Essa foi basicamente a conversa que tive com meu editor antes de aceitar um trabalho fotográfico no Jockey Club Brasileiro o Claro – Rio em Movimento, no bairro do Jardim Botânico (ou Lagoa, sei lá) nesta última Quarta-feira, dia 01/04. A princípio pensei que era brincadeira do dia primeiro de Abril. Mas não era. E pra quem não sabe, eu moro longe pra cacete do Jockey Club, mas beleza. Vamos ao que interessa.

Fotografar corridas é um saco. Os caras ficam posando pra você, achando que é isso que você quer fotografar, o que está muito longe da realidade. Alguns deles passam bem pertinho e de vez em quando algumas gotas de um suor nojento caem no seu rosto, te fazendo quase desmaiar. O cheiro dos corredores é algo insuportável, afinal, ninguém pode ficar com o cheiro de um Victoria´s Secret após correr mais de 10km. Ah, e eu esqueci. Estava chovendo. Não chovendo, tipo, ‘chovendo’. Estava chovendo pra cacete. Não é legal fotografar, com um equipamento pesado, debaixo de um guardachuva. Mas beleza, a gente releva.

Após muitas fotografias embaçadas (corredores não ficam necessariamente estáticos para você fotografar) e algumas outras que até ficaram legais, alguns passos muito próximos me jogaram lama por todo o corpo, afinal, o Jockey Club Brasileiro tem uma enorme pista daquelas olímpicas, com o solo bem feitinho. Mas não, os caras tinham que correr na terra. Que em minutos virou um lamaçal que me viu caindo de bunda duas ou três vezes. Mas beleza. Eu estava sendo pago pra isso.

Quando imaginava que a noite não poderia ficar pior, um segurança me encontra e pede para que eu o acompanhe, afinal eu estava sem a pulseira e em um local indevido. Beleza, a gente até poderia relevar se fôssemos bem tratados, mas não. Eu virei praticamente um criminoso (um criminoso com um equipamento profissional de fotografia nas mãos, mas ok) e tive que acompanhar o sujeito.

Conversa vai, conversa vem e nada de ficar acertado o que fariam comigo. “Quem é você?”, perguntavam os seguranças. “Eu? Bom, eu sou fotógrafo.” Era tudo que eu podia dizer. Quase trinta minutos depois consegui finalmente encontrar meu contato, que estava puto da vida por não ter visto ninguém fotografando na pista. Ok, ok. A gente releva.

E então, me vem a notícia. Marcelo D2 era o cara que estava patrocinando o evento e ele ia fazer um show ali, em menos de vinte minutos com o seu filho e o outro músico Seu Jorge. Pra quem não me conhece, eu explico uma coisa. Marcelo D2 é um maluco, pirado, completamente sem noção que só fala besteira. Mas o cara canta. O cara canta muito. Então, quando eu já estava prestes a ir embora, o sujeito sobe ao palco e começa a animar a multidão que se acotovelava para asistir o espetáculo que se seguia.

Não tem como negar, o cara anima o povo como ninguém que eu já tenha visto. Tá certo que a galera estava mais animada com a hipótese de poder fumar ganja (maconha, weed, verdinha, marijuana) a vontade do que com as músicas, mas o show em si foi espetacular. Jogos de luzes, fogos, fumaça. Sensacional. Até eu me vi dando uns saltinhos e cantando alguns minutos depois.

Resumindo, poderia ter sido uma péssima noite de trabalho, mas acabou se tornando uma péssima noite de trabalho com uma diversão gratuita no fim, afinal, eu tinha uma pulseira cinza que quer dizer “Vá aonde quiser!” e isso é bom. Isso é muito bom.

PS: Aviso aos fotógrafos navegantes: nunca jamais usem ISO 1600 pra fotografar um show.

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