(Escutando: Skank e Negra Li – E eu ainda gosto dela)
Já faz tempo agora. Mais tempo do que consigo me recordar e apesar dos momentos mais radicais terem se entranhado na minha cabeça para não mais sair, foram os momentos mais calmos que me fizeram jamais querer esquecer a viagem que fiz para Teresópolis, RJ, em pleno Carnaval de 2009. Enquanto milhares de foliões se esbaldavam de cerveja e dançavam ao som dos mais diversos trios elétricos por centenas de cidades, ou enfrentavam oras de engarrafamento só para chegar até a esbórnia mais próxima, eu chegava em uma cidade com um imenso potencial a se fotografar. E de lá eu desejava não ter saído mais.
Algo que me chamou a atenção logo de cara foi a receptividade. Ficam para trás os cenhos serrados e sorrisos amarelos dos cariocas que vivem na Cidade Maravilhosa, chegam-se os interioranos da serra, que sorriem de verdade, prestam-se a ajudar mesmo sem receber nada em troca e de certa forma parecem mais próximos de você. Continuo estranhando o fato de até os mendigos da cidade (que são pouquíssimos) terem sido amáveis.
E de todas as pessoas que moram naquela cidade que fica no alto das nuvens, tive o prazer e sorte de ficar ‘instalado’ junto da família mais legal e ‘gente-fina’ que conheço por lá. Era um tal de acordar cedo, uma ànsia por fotografar até o obturador parar de funcionar, entrar nas matas atrás de bichos. Uma excitção tão grande que sentia, ao chegar em casa, promessas musculares e ósseas de dores futuras que não me deixariam em paz. Ainda assim, valia a pena cada minuto gasto caminhando pela mata, de câmera em punho.
Tudo lá era por demais proveitoso, e até gostoso de se realizar. Como se de repente o relógio começasse a andar mais devagar. As pessoas naquela cidade realmente me surpreendiam.
O ‘cara de vermelho’ que calhou de ser um excelente guia e um ouvinte excepcional de pássaros no meio da mata densa, era o mais surpreendente. Homem calmo, de fala mansa, camarada para todas as horas. Estaremos sempre ligados pelo simples fato de sermos ótimos com uma trilha abaixo dos pés e amigos quando estivermos sentados lado a lado.
A jovem nova senhorita paulista, com sotaque gaúcho, aparência européia, mas que vive no RJ e passou a odiar cariocas devido a uma simples piada, se saiu a cozinheira perfeita para abastecer fotógrafos que saem em trilhas as 6:00 pra voltar somente quando o sol já se pôs. Um dia estarei de volta para provar novamente o ‘arroz, feijão, bife e batata frita’ que foi um dos melhores que já comi até onde lembro.
E mesmo o administrador do Parnaso, o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, um cara simpático e prestativo, embora entrosado demais com a sua profissão, foi uma pessoa que fez questão de me receber bem, estendendo a mão para um aperto caloroso a cada opinião concluída ou promessas de trabalhos futuros. Espero que possamos tomar uma cerveja para conversar melhor qualquer dia.
E ao camarada que compartilha comigo esta paixão pela arte de desenhar com luz, só falta agradecer com palavras o que já fiz com um sorriso tão largo e sincero. Como dizer que você está grato por algo que uma pessoa fez para ti, simplesmente sem fazer esforço algum? Simplesmente por estar lá, ao teu lado, te acompanhando em cada click da câmera, em cada foto borrada, em cada tombo no chão e em cada momento de “Que diabos fazemos agora?”
O que dizer?
Bem, as fotos dizem tudo.
- Por onde andei…









