(Escutando: Yves Larock – Rise up)
Para comemorar o dia do índio (eu sei que não é hoje) neste domingo, dia 19 de Abril recebi um convite de uma nova amiga para comparecer no Museu do Índio em Botafogo onde estaria acontecendo uma apresentação dos índios Kayapós. E que apresentação.
Vindos do Pará esta tribo é uma das tribos indígenas mais ricas do país, logo não se engane caso um deles lhe peça um trocado por uma fotografia, pois eles o farão, sem sombra de dúvidas. Não que isso seja ruim, afinal são índios, mas o problema começa a partir do momento em que eles deixam de pedir dinheiro e passam a pedir cigarros e cerveja. Isso não é nada bom.
A revista National Geographic Brasil deste mês, na matéria “Indios Modernos” revela a modernização dos índios Baniua, que vivem no norte da Amazônia e hoje em dia contam com Internet Wireless, laptops e celulares bem novinhos (só pra se ter uma idéia, eu não tenho Wireless, laptop nem celular novo). Essa foi uma das coisas que reparei lá hoje, ao fotografar o evento. A maior parte dos índios tinha um celular na cintura (um deles tem o celular que eu quero GRrrr), alguns com câmeras fotográficas e quase todos com relógios de pulso. Digo, pra onde foram as formas primitivas de comunicação que tanto caracterizam os índios? Onde está aquela cara de susto ao olhar pra sua fotografia dentro da ‘caixa mágica’? Não se vê mais as horas pelo sol? Isso está ficando meio complicado, sem falar nas sandálias de dedo Havaíanas que já se tornaram comuns.
Fora a crítica, a apresentação é primorosa. Os trajes, as pinturas de corpo (grande parte dela veio parar na minha roupa) e o comportamento são sensacionais. Dava uma dor no coração ao ver a ‘delicadeza’ com que os jovens índios se tratavam. Um tapa no rosto que para nós pode significar um soco como retribuição era apenas brincadeira. Puxões de cabelo servem tanto para machucar quanto para arranjar apoio para se levantar do chão, e sobrou até para a pequena indiazinha que não aparentava ter nem 4 anos que tomou uns cascudos do irmão mais velho e pôs se a chorar descontroladamente.
Senti naquele momento, enquanto estava ali rodeado daquele povo magnífico que queria saber mais. Queria ter esta mesma oportunidade novamente, quero, desejo e agora mais do que nunca vou me esforçar para um dia também conseguir realizar algo desse tipo, pois aquele povo é perfeito demais para se deixar esquecer. Nunca vou me esquecer do jovem Pauri que de nariz escorrendo e mãos mais sujas que as solas dos pés enfiou o dedo na minha lente e disse “Tic Tic”, imitando ingenuamente o som do disparo. Os curtos momentos que passei ao lado daquela criança, que está sendo treinado para se tornar um guerreiro, foram inesquecíveis. Em um segundo estava de câmera em punho batendo fotografias dele e dos coleguinhas brincando, no outro fui dominado e jogado ao chão por crianças Kayapó curiosas quanto ao meu equipamento, quanto aos brincos que uso, quanto a barba por fazer, o fio do MP3 Player. Todos tão curiosos que agora, enquanto escrevo isso, só fico me recordando do “Tic Tic”.
Quero escutar aquele “Tic Tic” novamente.
Aqui deixo os agradecimentos: Obrigado a senhorita Jaqueline Gomes que faz parte da minha vida a menos de 48 horas, mas já me proporcionou, por meio de um simples convite, um dos dias que jamais esquecerei. Muito obrigado guria.









Uai rapaz mas que texto bacana, apesar de não concodar muito com sua crítica, cá estou! bom texto e nem precisa agradecer… bj grande